quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sobre a Interação Humano-computador

Que tal se discutíssemos um pouco a interação humano-computador no contexto da ciência da computação?

RESOLVER PROBLEMAS E FAZER O SIMPLES DE FORMA RÁPIDA

É papel da ciência da computação o desenvolvimento de métodos para a resolução de problemas modelados a partir de formalizações matemáticas de algoritmos, de modo que a representação do conhecimento e seu tratamento possam ser feitos por qualquer dispositivo capaz de armazenar e manipular informações.


É objetivo também da ciência tornar aquilo que inicialmente tenha configuração complexa e abstrata o mais próximo possível das operações mais elementares que existem, para serem processadas por dispositivos que façam o simples de forma extremamente rápida.

                                                                                 Fonte: http://educador.brasilescola.com

ANALOGIA HOMEM-MÁQUINA

Um estudioso da área de computação consegue então facilmente aproximar a organização dos computadores, com suas divisões e sistemas, da constituição daquela que talvez seja a mais perfeita das máquinas existentes na natureza: o corpo humano. 

                                                                                 Fonte: http://erealityhome.wordpress.com 

Seja para transportar substâncias, sustentar estruturas, armazenar e processar o conhecimento, cada célula, tecido ou sistema é responsável pelo exercício de funções cruciais para o funcionamento do corpo como um todo. Em sistemas computacionais, as responsabilidades também são bem divididas e não é difícil entender o que pode ter servido como referência para a criação dos modelos de redes, placas, bancos de dados e processadores. 

                                       
                                                                                          Fonte: http://vivendocidade.com 
COLABORAÇÃO, E NÃO SUBSTITUIÇÃO

Mas entender o que faz da computação uma ciência essencialmente muito diferente da biológica é que define como as duas poderão se relacionar e nunca serem tratadas da mesma forma.

A proximidade entre os dois modelos serve apenas para ilustrar o quão atrelados poderão estar humanos e máquinas no cotidiano, à medida que o desenvolvimento tecnológico se sucede e o tratamento da informação exige a participação conjunta das duas partes. A dificuldade estaria então na criação de mecanismos que possibilitassem a maior e melhor forma de comunicação e colaboração entre pessoas e máquinas, e não na substituição de um pelo outro.


                                                                                           Fonte: http://psiquecienciaevida.uol.com.br

O DESENVOLVIMENTO DA IHC

Não imagino que do advento da computação tenha surgido o interesse em fazer com que objetos e produtos funcionem (ou possam ser operados) de forma correta e mais adequada. Mas é inegável que o desenvolvimento dos recursos computacionais (componentes e programas), que são embutidos em produtos das mais diversas categorias para potencializar suas funcionalidades, tenha aumentado a importância de se projetar priorizando a qualidade de uso. E justamente nesse sentido que o interesse pela pesquisa na área de Interação Humano-Computador se desenvolveu.

A IHC é uma área multidisciplinar, e por isso não possui uma definição estrita. A Comissão Especial de Interação Humano-Computador (CEIHC) da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) apresenta uma definição para área bastante simplificada:

Interação Humano-Computador (IHC) é uma área de pesquisa dedicada a estudar os fenômenos de comunicação entre pessoas e sistemas computacionais (CEIHC, 2011).

Outra definição que costuma ser bastante referenciada é a do autor Hewett (Preece et al, 2005; Baranauskas & Rocha, 2003; Silva & Barbosa, 2010; ACM SIGCHI , 1992):

IHC é a disciplina preocupada com o projeto, a avaliação e a implementação de sistemas computacionais interativos para uso humano e com o estudo de fenômenos importantes que os rodeiam (Hewett et al., 1992 apud Silva & Barbosa, 2010, p.10).

terça-feira, 17 de julho de 2012

Avaliação de SiCo's: o que é

Avaliar é determinar o valor de um artefato com base em certos critérios. Para o caso de softwares, a avaliação é, a princípio, uma verificação das capacidades do sistema em atender àquilo que lhe foi requisitado. 

POR QUE AVALIAR A INTERFACE?

Da mesma forma que os testes de funcionalidades são necessários para se verificar a robustez do software, a avaliação de sua interface é fundamental para que sua qualidade de uso seja analisada [Preece et al.,2005], já que ela  é a parte do sistema com que o usuário entra em contato para executar ações desejadas no sistema.


             Fonte: http://www.userexpertise.com

DIFICULDADES PARTICULARES DE SICOs

No caso de Sistemas Colaborativos, a avaliação é especialmente difícil por uma série de razões, incluindo o efeito do comportamento e da personalidade dos membros do grupo; além das dinâmicas sociais, econômicas e políticas que os envolvem



                                                                  


Há ainda a grande importância do tempo nesse tipo de avaliação, já que as interações do grupo podem desdobrar-se em dias ou até mesmo semanas. Dessa forma, é necessário se identificar, sobretudo, quais aspectos devem ser avaliados, assim como os métodos a serem utilizados para a sua avaliação [Baker et al., 2001]. 


                                          
                                    IDEIA DE SICOs SENDO ACESSADO POR DIFERENTES DISPOSITIVOS E EM DIFERENTES MOMENTOS                                                                              
                                                                                  Fonte: http://sistemasupa2.blogspot.com.br 


Cabe aos métodos de avaliação de Sistemas Colaborativos distinguir então problemas causados pelo projeto da interação humano-computador (IHC) daqueles existentes em contextos sociais.

POR QUE MÉTODOS PARA SISTEMAS MONO-USUÁRIO NÃO FUNCIONAM?

Por não considerarem todas as dimensões de interação que existem em aplicações de grupo, os métodos de avaliação de aplicações mono-usuário não são suficientes para avaliar Sistemas Colaborativos [Grudin, 1994b], Gutwin & Greenberg [2000]p, [Preece, 2000], [Baker et al., 2002].

REFERÊNCIAS:

Preece, J.; Rogers, Y. & Sharp, H. (2005). Design de interação: além da interação homem-computador. Bookman: Porto Alegre, RS.

Baker, K.; Greenberg, S. & Gutwin, C. (2001). Heuristic evaluation of groupware based on the mechanics of collaboration. Lecture Notes in Computer Science, pp. 123--140.

Grudin, J. (1994b). Groupware and social dynamics: eight challenges for developers. Communications of the ACM, 37(1):92--105.

Gutwin, C. & Greenberg, S. (2000). The mechanics of collaboration: Developing low cost usability evaluation methods for shared workspaces. In Proceedings of the 9th IEEE International Workshops on Enabling Technologies: Infrastructure for Collaborative Enterprises, pp. 98--103. IEEE Computer Society Washington, DC, USA.

Preece, J. (2000). Online Communities: Designing Usability and Supporting Sociability. John Wiley & Sons, Inc. New York, NY, USA.

Baker, K.; Greenberg, S. & Gutwin, C. (2002). Empirical development of a heuristic evaluation methodology for shared workspace groupware. In Proceedings of the 2002 ACM conference on Computer supported cooperative work, pp. 96--105. ACM New York, NY, USA.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O que são Sistemas Colaborativos

Sistemas colaborativos (ou SiCo's) podem ser entendidos como sistemas computacionais destinados a promover a interação entre grupos de usuários, para fins de trabalho, ensino ou entretenimento, sem necessariamente os envolvidos estarem no mesmo local, ao mesmo tempo.


O QUE ESTÁ POR TRÁS DA DEFINIÇÃO?

O conceito de SiCo’s engloba aplicações que facilitem desde o encontro e a comunicação entre indivíduos, até o apoio a atividades complexas como a realização de reuniões e a construção de produtos de software em conjunto. Tais sistemas permitem o compartilhamento de recursos, a coordenação das atividades, a comunicação e a troca de idéias entre os participantes.


                                              IDEIA CONCEITUAL DE UM SICO SENDO ACESSADO POR DIFERENTES DISPOSITIVOS
                                                            Adaptado de: http://www.bobyhermez.com/2012/01/groupware-technology/ 



O GOOGLE DOCS É UM EXEMPLO DE UM SISTEMA COLABORATIVO

PARTICULARIDADES DE SISTEMAS COLABORATIVOS

Em Sistemas Colaborativos, os usuários precisam interagir não apenas com o software, mas também utilizá-lo para interagir com os demais usuários. Insumos - como pessoas, tarefas e tecnologia podem influenciar diretamente os resultados, alterando as formas com que os membros do grupo interagem uns com os outros [Dourish, 2001]. Tratar diferenças individuais de um mesmo grupo, a diversidade na organização dos grupos e a divisão das atividades entre os membros de um determinado grupo são desafios a mais a serem considerados nesse tipo de aplicação [Prates & de Souza, 2002].

REFERÊNCIAS:

Mattos, B. A. M. (2010). Uma extensão do método de avaliação de comunicabilidade para sistemas colaborativos, 

Dourish, P. (2001). Seeking a foundation for context-aware computing. Human-Computer Interaction, PPGDCC-UFMG.

Prates, R. & de Souza, C. (2002). Extensão do Teste de Comunicabilidade para Aplicações Multi-usuário. Cadernos do IME, 13:46--56.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Boas-vindas!

Você se interessa pelo projeto e avaliação de interfaces interativas? Acha que a experiência dos usuários ao utilizar dispositivos computacionais seria imensamente melhorada se fizéssemos os devidos investimentos?

Acha também que pode aprender mais (e contribuir com seus conhecimentos) para desenvolver recursos para facilitar o trabalho em grupo (e individual) por meio de um software?

Então esse é também o seu espaço!

Serão disponibilizados aqui conteúdos e referências às diversas subáreas de pesquisa de Interação Humano-Computador (IHC) e Trabalho Cooperativo Auxiliado por Computador (CSCW), além de experiências e conhecimentos relacionados à minha atividade profissional e acadêmica nessa área.

É um prazer receber sua visita. Em caso de dúvida, sugestão ou interesse em estreitar nosso diálogo, não deixe de escrever.

Agradeço muito a visita e aguardo opiniões e contatos! :)