segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Livro-texto brasileiro de Sistemas Colaborativos

Alguns dos principais pesquisadores brasileiros na área de Sistemas Colaborativos lançaram em 2011 um livro específico sobre o assunto, que tem sido adotado em disciplinas homônimas do currículo de referência da Sociedade Brasileira de Computação. Os professores Hugo Fuks (DCC PUC-Rio) e Mariano Pimentel (UNIRIO) são os autores (principais organizadores) do livro, que conta também com um capítulo específico sobre a parte de IHC que envolve SiCos, escrito pela professora e pesquisadora do Departamento de Ciência da Computação da UFMG Raquel Oliveira Prates.

                                          

O livro foi o primeiro brasileiro a abranger o estudo da computação integrado às redes sociais, tratando de sistemas de comunicação, editores cooperativos, sistemas de compartilhamento de conteúdo e de arquivos, mundos virtuais, ambientes de aprendizagem colaborativa etc.

Vale à pena dar uma olhada. Segue abaixo a descrição retirada da página da editora Elsevier:

"Sistemas Colaborativos é a tradução adotada no Brasil para designar os termos: groupware e “CSCW” (Computer Supported Cooperative Work). Neste livro, escrito por pesquisadores atuantes nessa área no país, os conteúdos sobre sistemas colaborativos estão organizados de forma disciplinar. São analisados os sistemas que dão suporte ao trabalho em grupo, tais como redes sociais, sistemas de comunicação, ambientes virtuais colaborativos, dentre outros. São discutidos os aspectos sociais relacionados ao uso e também os aspectos técnicos relacionados ao desenvolvimento dos sistemas colaborativos. O objetivo educacional do livro é promover a competência em analisar e projetar sistemas colaborativos para o trabalho e a interação na sociedade conectada."




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Classificação de SiCo's (Síncronos - Assíncronos)

Já foi comentado aqui no Portal sobre as definições de Sistemas Colaborativos que encontramos por aí, e também sobre as dificuldades inerentes à avaliação desse tipo de sistema. E quais seriam as classificações existentes para esse tipo de sistema?

PARÂMETROS PARA CLASSIFICAR

A classificação das aplicações de Sistemas Colaborativos também é feita na literatura por diferentes parâmetros. No sistema de classificação proposto por Ellis et al. [1991], foram identificadas classes de SiCo’s. Essa classificação os aborda do ponto de vista de sua capacidade em quebrar as fronteiras de tempo e localização entre indivíduos e estabelecer a comunicação entre eles.

Sendo assim, indivíduos podem interagir estando no mesmo local ou geograficamente dispersos. Além disso, essa interação pode ser realizada em tempo real (interação síncrona) ou pode ser realizada em momentos diferentes (interação assíncrona), como mostra a figura abaixo:
Fonte: Aplicações de Sistemas Colaborativos classificadas por tempo e espaço [Ellis et al., 1991]


De acordo com a figura acima e com a pesquisa realizada por Bafoutsou & Mentzas [2002], as interações em um grupo de trabalho podem ocorrer em quatro dimensões de tempo e espaço:
  • Interação síncrona: (ou face-a-face): ocorre na mesma hora e lugar.
  • Interação síncrona distribuída: ocorre ao mesmo tempo, mas em diferentes lugares.
  • Interação assíncrona : ocorre em tempos diferentes, mas em um mesmo lugar.
  • Interação assíncrona distribuída: ocorre em tempos diferentes e lugares diferentes.
Apesar de ser mais comumente utilizada, a forma acima não é única para classificar esse tipo de sistema. Em breve a gente volta a discutir por aqui algumas outras existentes.

REFERÊNCIAS:

Ellis, C.; Gibbs, S. & Rein, G. (1991). Groupware: some issues and experiences. Communications of the ACM, 34(1):58.

Bafoutsou, G. & Mentzas, G. (2002). Review and functional classification of collaborative systems. International Journal of Information Management, 22(4):281--305.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Feedthrough (percepção sobre as atividades dos outros)

Na publicação anterior, foram apresentados os mecanismos de percepção (ou awareness) em Sistemas Colaborativos. 

Outra particularidade desse tipo de sistema em relação às aplicações mono-usuário diz respeito ao feedback  (provimento de informação sobre uma ação executada) oferecido aos usuários (durante a interação) por meio da interface.

COMO SABER O QUE OS OUTROS ESTÃO FAZENDO

Quando artefatos em ambientes de grupo são manipulados, aquilo que normalmente serviria de feedback  para o usuário que executa a ação pode também informar outros usuários que estão assistindo o mesmo ambiente. Esse mecanismo de percepção sobre as atividades dos outros membros na interface de SiCos é chamado de feedthrough.





A necessidade de apoiar o suporte a awareness (e, consequentemente, ao feedthrough) em SiCo’s é uma das principais preocupações na sua concepção. Salvo raras exceções, esse apoio geralmente envolve soluções particulares para problemas de domínio específico e abordagens isoladas que são difíceis de generalizar para outras situações. Como conseqüência, os projetistas devem reinventar o awareness para cada nova aplicação, com base em sua experiência de o que é, como funciona e como ele é usado nas tarefas [Pinelle & Gutwin, 2001].

Sistemas Colaborativos síncronos e assíncronos, por exemplo, diferem quanto às suas necessidades por awareness, uma vez que usuários obrigatoriamente trabalhando ao mesmo tempo terão necessidades de percepção diferentes daqueles que não precisam trabalhar simultaneamente. 

Segundo Gutwin & Greenberg [1998], diferentes representações do espaço de trabalho e seus objetos podem tornar as tarefas individuais mais fáceis, mas também podem restringir a comunicação sobre os objetos, sendo mais fácil manter a percepção quando uma mesma representação é mantida. Assim, o projetista de um Sistema Colaborativo deve decidir entre beneficiar atividades individuais ou priorizar a percepção das atividades coletivas.

E você, já sabe que mecanismos de suporte a awareness e ao feedthrough usar no projeto do seu sistema? 

REFERÊNCIAS:


Pinelle, D. & Gutwin, C. (2001). Group task analysis for groupware usability evaluations. In Proceedings of the 10th IEEE International Workshops on Enabling Technologies: Infrastructure for Collaborative Enterprises, pp. 102--107. IEEE Computer Society.

Gutwin, C. & Greenberg, S. (1998). Design for individuals, design for groups: tradeoffs between power and workspace awareness. In Proceedings of the 1998 ACM conference on Computer supported cooperative work, p. 216. ACM.