quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A voz chegando ao Portal

Sim, um bom tempo se passou sem que este portal recebesse novas atualizações. Isso se deve, sobretudo, às grandes mudanças dos últimos meses que ocorreram na minha vida pessoal e profissional. Mudanças que, em geral, felizmente enriqueceram bastante os meus aprendizados sobre interação humano-computador; e que, de forma bastante entusiasmada,quero continuar compartilhando aqui.

Antecipando novidades, nos próximos dias espero que haja bastante oportunidade para tratarmos de interfaces de usuário de voz e das tecnologias envolvidas na interação usando a fala (minha mais nova área de interesse e pesquisa).

Ansioso para conhecer mais sobre interfaces de voz e a maneira como elas influenciam a interação homem-máquina? Uma prévia aparece neste vídeo de um produto relacionado.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

10 regras para se trabalhar com o Axure

Deixo aqui uma dica (aliás, o autor oferece um conjunto de 10 regras) interessante para quem trabalha com a ferramenta de prototipagem Axure para expor sua visão conceitual de um sistema (inclusive os colaborativos :) ). 

(As 10 regras do Fred para se trabalhar com o Axure)

O Axure é uma das ferramenta mais populares entre os projetistas de experiência do usuário (permite a criação rápida de diagramas, wireframes, protótipos e especificações. Quem ainda não a utilizou, vale à pena dar uma conferida.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Desafios para a avaliação de SiCo’s

ENCONTRAR GRUPOS ADEQUADOS, CUSTO E FALTA DE CONSENSO

Os maiores desafios para os pesquisadores e desenvolvedores de Sistemas colaborativos no que diz respeito aos processos de avaliação são encontrar grupos e ambientes que se adequem às variáveis apropriadas para a realização de avaliações, generalizar os resultados obtidos e encontrar guias para projetá-las e conduzi-las [Prates et al., 2006a].

Além disso, as avaliações são caras e não existe um consenso a respeito da metodologia a ser aplicada para sua realização [Pinelle & Gutwin, 2001].

OS 4 PRINCIPAIS DESAFIOS



No trabalho de Prates & Raposo [2006], foram apresentados alguns desafios vivenciados por avaliadores durante o planejamento e a execução de testes com usuários de Sistemas Colaborativos. Esses desafios serão listados abaixo, com discussões relacionadas a cada um deles:

Desafio 1: Determinar o número necessário de avaliadores para a avaliação: apesar de existirem alguns estudos de caso que relatam o que foi feito [Pinelle & Gutwin, 2000], e ainda que, em alguns casos, tenham sido adotadas soluções que funcionaram para aplicações mono-usuário (sem discussões maiores sobre a aplicabilidade) [Baker et al., 2001] [Pinelle & Gutwin, 2002a], essa questão não é muito discutida na área de avaliação de SiCo’s.

Desafio 2: Dificuldade de se conseguir o número necessário de participantes para o teste: Além da dificuldade de se conseguir pessoas com esse perfil dispostas a doar seu tempo para a avaliação, há ainda um complicador, que é coordenar a disponibilidade desses voluntários para se juntar os grupos.

Desafio 3: Dificuldade de se avaliar durante o teste questões de natureza social e cultural geradas pela tecnologia: a natureza de simulação dos testes impede que sejam observadas durante os testes questões relacionadas com o impacto da tecnologia no grupo, ou na organização, além de seus efeitos nas relações sociais, Essas questões só podem ser observadas se o uso da ferramenta for acompanhado em seu contexto real de utilização. Apesar disso, durante os testes podem ser colhidos indicadores que poderão ser úteis na avaliação do potencial impacto do sistema. Ainda assim é difícil definir cenários que permitam observar esses indicadores, que poderão ter outros custos associados.

Desafio 4: Identificação de problemas básicos que justificam a interrupção da avaliação: um
problema básico pode ser entendido como algo que impeça o uso pretendido do sistema, impossibilitando que ele seja avaliado em relação a determinado aspecto. A identificação desse problema justifica interromper a avaliação, corrigir o sistema e refazer a avaliação. No entanto, muitas vezes é difícil até mesmo identificar se um problema pode ou não ser caracterizado como básico.

Já enfrentou algum dos desafios acima? Possui sugestões para driblar alguns desses problemas? Compartilhe conosco! :)

REFERÊNCIAS:

Pinelle, D. & Gutwin, C. (2000). A review of groupware evaluations. In Proceedings of WET ICE 2000, pp. 86--91. 

Pinelle, D. & Gutwin, C. (2001). Group task analysis for groupware usability evaluations. In Proceedings of the 10th IEEE International Workshops on Enabling Technologies: Infrastructure for Collaborative Enterprises, pp. 102--107. IEEE Computer Society.

Pinelle, D. & Gutwin, C. (2002a). Groupware walkthrough: adding context to groupware usability evaluation. In Proceedings of the SIGCHI conference on Human factors in computing systems: Changing our world, changing ourselves, pp. 455--462. ACM New York, NY, USA.

Prates, R.; Araújo, R. & F.M., S. (2006a). Introdução a avaliação de sistemas colaborativos. Anais da escola regional de Informática de Minas Gerais, pp. 127--157.

Fonte figura: http://www.virtual.ufc.br/cursouca/modulo_3/desafios_ii.html

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Livro-texto brasileiro de Sistemas Colaborativos

Alguns dos principais pesquisadores brasileiros na área de Sistemas Colaborativos lançaram em 2011 um livro específico sobre o assunto, que tem sido adotado em disciplinas homônimas do currículo de referência da Sociedade Brasileira de Computação. Os professores Hugo Fuks (DCC PUC-Rio) e Mariano Pimentel (UNIRIO) são os autores (principais organizadores) do livro, que conta também com um capítulo específico sobre a parte de IHC que envolve SiCos, escrito pela professora e pesquisadora do Departamento de Ciência da Computação da UFMG Raquel Oliveira Prates.

                                          

O livro foi o primeiro brasileiro a abranger o estudo da computação integrado às redes sociais, tratando de sistemas de comunicação, editores cooperativos, sistemas de compartilhamento de conteúdo e de arquivos, mundos virtuais, ambientes de aprendizagem colaborativa etc.

Vale à pena dar uma olhada. Segue abaixo a descrição retirada da página da editora Elsevier:

"Sistemas Colaborativos é a tradução adotada no Brasil para designar os termos: groupware e “CSCW” (Computer Supported Cooperative Work). Neste livro, escrito por pesquisadores atuantes nessa área no país, os conteúdos sobre sistemas colaborativos estão organizados de forma disciplinar. São analisados os sistemas que dão suporte ao trabalho em grupo, tais como redes sociais, sistemas de comunicação, ambientes virtuais colaborativos, dentre outros. São discutidos os aspectos sociais relacionados ao uso e também os aspectos técnicos relacionados ao desenvolvimento dos sistemas colaborativos. O objetivo educacional do livro é promover a competência em analisar e projetar sistemas colaborativos para o trabalho e a interação na sociedade conectada."




sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Classificação de SiCo's (Síncronos - Assíncronos)

Já foi comentado aqui no Portal sobre as definições de Sistemas Colaborativos que encontramos por aí, e também sobre as dificuldades inerentes à avaliação desse tipo de sistema. E quais seriam as classificações existentes para esse tipo de sistema?

PARÂMETROS PARA CLASSIFICAR

A classificação das aplicações de Sistemas Colaborativos também é feita na literatura por diferentes parâmetros. No sistema de classificação proposto por Ellis et al. [1991], foram identificadas classes de SiCo’s. Essa classificação os aborda do ponto de vista de sua capacidade em quebrar as fronteiras de tempo e localização entre indivíduos e estabelecer a comunicação entre eles.

Sendo assim, indivíduos podem interagir estando no mesmo local ou geograficamente dispersos. Além disso, essa interação pode ser realizada em tempo real (interação síncrona) ou pode ser realizada em momentos diferentes (interação assíncrona), como mostra a figura abaixo:
Fonte: Aplicações de Sistemas Colaborativos classificadas por tempo e espaço [Ellis et al., 1991]


De acordo com a figura acima e com a pesquisa realizada por Bafoutsou & Mentzas [2002], as interações em um grupo de trabalho podem ocorrer em quatro dimensões de tempo e espaço:
  • Interação síncrona: (ou face-a-face): ocorre na mesma hora e lugar.
  • Interação síncrona distribuída: ocorre ao mesmo tempo, mas em diferentes lugares.
  • Interação assíncrona : ocorre em tempos diferentes, mas em um mesmo lugar.
  • Interação assíncrona distribuída: ocorre em tempos diferentes e lugares diferentes.
Apesar de ser mais comumente utilizada, a forma acima não é única para classificar esse tipo de sistema. Em breve a gente volta a discutir por aqui algumas outras existentes.

REFERÊNCIAS:

Ellis, C.; Gibbs, S. & Rein, G. (1991). Groupware: some issues and experiences. Communications of the ACM, 34(1):58.

Bafoutsou, G. & Mentzas, G. (2002). Review and functional classification of collaborative systems. International Journal of Information Management, 22(4):281--305.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Feedthrough (percepção sobre as atividades dos outros)

Na publicação anterior, foram apresentados os mecanismos de percepção (ou awareness) em Sistemas Colaborativos. 

Outra particularidade desse tipo de sistema em relação às aplicações mono-usuário diz respeito ao feedback  (provimento de informação sobre uma ação executada) oferecido aos usuários (durante a interação) por meio da interface.

COMO SABER O QUE OS OUTROS ESTÃO FAZENDO

Quando artefatos em ambientes de grupo são manipulados, aquilo que normalmente serviria de feedback  para o usuário que executa a ação pode também informar outros usuários que estão assistindo o mesmo ambiente. Esse mecanismo de percepção sobre as atividades dos outros membros na interface de SiCos é chamado de feedthrough.





A necessidade de apoiar o suporte a awareness (e, consequentemente, ao feedthrough) em SiCo’s é uma das principais preocupações na sua concepção. Salvo raras exceções, esse apoio geralmente envolve soluções particulares para problemas de domínio específico e abordagens isoladas que são difíceis de generalizar para outras situações. Como conseqüência, os projetistas devem reinventar o awareness para cada nova aplicação, com base em sua experiência de o que é, como funciona e como ele é usado nas tarefas [Pinelle & Gutwin, 2001].

Sistemas Colaborativos síncronos e assíncronos, por exemplo, diferem quanto às suas necessidades por awareness, uma vez que usuários obrigatoriamente trabalhando ao mesmo tempo terão necessidades de percepção diferentes daqueles que não precisam trabalhar simultaneamente. 

Segundo Gutwin & Greenberg [1998], diferentes representações do espaço de trabalho e seus objetos podem tornar as tarefas individuais mais fáceis, mas também podem restringir a comunicação sobre os objetos, sendo mais fácil manter a percepção quando uma mesma representação é mantida. Assim, o projetista de um Sistema Colaborativo deve decidir entre beneficiar atividades individuais ou priorizar a percepção das atividades coletivas.

E você, já sabe que mecanismos de suporte a awareness e ao feedthrough usar no projeto do seu sistema? 

REFERÊNCIAS:


Pinelle, D. & Gutwin, C. (2001). Group task analysis for groupware usability evaluations. In Proceedings of the 10th IEEE International Workshops on Enabling Technologies: Infrastructure for Collaborative Enterprises, pp. 102--107. IEEE Computer Society.

Gutwin, C. & Greenberg, S. (1998). Design for individuals, design for groups: tradeoffs between power and workspace awareness. In Proceedings of the 1998 ACM conference on Computer supported cooperative work, p. 216. ACM.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Awareness (ou percepção)

AFINAL, COMO SABER O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Estar atento aos demais membros do grupo e às atividades por eles desempenhadas representa um papel importante na fluidez e na naturalidade do trabalho conjunto [Gutwin & Greenberg, 1999a], o que faz dos mecanismos de awareness (ou percepção) peças-chave para qualquer Sistema Colaborativo (uma vez que perceber, reconhecer e compreender as atividades dos outros é um requisito básico para a interação humana e a comunicação em geral).



Awareness é o conhecimento global sobre as atividades e o grupo. Em outras palavras, refere-se a ter conhecimento das atividades do grupo, saber o que aconteceu, o que está acontecendo e/ou o que poderá vir a acontecer, além do próprio conhecimento do que é esse trabalho e o grupo nele envolvido [Sohlenkamp, 1998].


FONTES DE AWARENESS

Em espaços compartilhados de Sistemas colaborativos, os artefatos servem como uma grande fonte de informações de awareness. Eles podem fornecer um conjunto de informações visuais por: serem representações de objetos físicos, formarem relacionamentos espaciais com outros objetos, conterem símbolos como palavras, figuras e números, e seus estados serem frequentemente mostrados em sua representação física.










REFERÊNCIAS:

Gutwin, C. & Greenberg, S. (1999a). A framework of awareness for small groups in shared-workspace groupware. J CSCW.

Sohlenkamp, M. (1998). Supporting group awareness in multi-user environments through perceptualization. Paderborn: Fachbereich, Mathematik-Informatik der Universit "at-Gesamthochschule.